Eu quero crescer mais.
Eu quero crer, ser mais.
Ser mais do que o bonito, o vão. Ser algum futuro, então.
Quem não olha pra frente não tem paz, entende?
E só se arrepende quem olha pra trás.
Eu quero crescer mais.
10/02/2010
08/02/2010
De como a dor me transforma
Perdoa se sou pessimista e contagio. Vivo sim num mundo de não. A maior de todas as mentiras é aquela contada por quem sorri sem motivos. Sei que a diferença entre a vida e a morte é a dor. Então sangro, sangro sim. Sangro porque tenho vida em mim. Queria eu ter periósteo inerte, ser desprovida de nervos e arco reflexos, tal como os ignorantes e suas variações anatômicas. Mas não sei viver sem medo, o medo protege e eu quero sempre proteção. Fervo. Fervo quando esquenta. Não peço para que soprem, não procuro me abanar, não ligo o ar condicionado, nem o ventilador. De condicionado me basta o fato de não poder me sustentar; e que vento é suficiente para soprar a dor embora? A dor só vai quando finalmente entro em ebulição. E é a única vez que me vejo de dentro pra fora. Viro fumaça e faço a diferença sem impressionar. Posso até fazer chorar. Sendo assim, me liberto e conquisto um novo elemento. Me torno uma só com o que antes me delimitava: o ar que eu tanto respirava. Uso o meu próprio corpo de forma imprópria num hedonismo improvisado. O corpo só existe para ser todo prazer. E quando evaporo, shhh, já fiz todo o mal que podia fazer, a meu prover.
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