Se eu pudesse deixar tudo isso de lado, não hesitaria.
Olha,
é cedo demais pra esquecer, é tarde demais pra desistir,
e aí?
10/09/2007
Há de planar
Quanto mais ele gira, mais eu fico assim, aflita.
Me libertar e flutuar e emudecer, não vejo a hora.
Tentei me encontrar por entre a poesia escrita
De tudo tentei, mas o tempo não passa enquanto a dor não vai
embora.
Quando olho, ele se estagna. Se me distraio, ele se move,
Feito um peixinho camuflado numa rocha.
Não me deixe a agonizar, ainda é dez pras 9
E esse medo da idade vem da flor que desabrocha.
Há de haver um momento, um sofrimento,
Em que se encontre um esclarecimento sobre o que eu sinto a
esperar.
E essa agonia que não passa, essa vida que fracassa, essa
solidão que não basta,
Após a queda, há de planar.
Ah, ponteiro que gira em prol da minha contagem regressiva,
seja fiel ao intervalo entre um segundo e outro, e torne breve
a minha vida...
Que a solidão há de planar.
Me libertar e flutuar e emudecer, não vejo a hora.
Tentei me encontrar por entre a poesia escrita
De tudo tentei, mas o tempo não passa enquanto a dor não vai
embora.
Quando olho, ele se estagna. Se me distraio, ele se move,
Feito um peixinho camuflado numa rocha.
Não me deixe a agonizar, ainda é dez pras 9
E esse medo da idade vem da flor que desabrocha.
Há de haver um momento, um sofrimento,
Em que se encontre um esclarecimento sobre o que eu sinto a
esperar.
E essa agonia que não passa, essa vida que fracassa, essa
solidão que não basta,
Após a queda, há de planar.
Ah, ponteiro que gira em prol da minha contagem regressiva,
seja fiel ao intervalo entre um segundo e outro, e torne breve
a minha vida...
Que a solidão há de planar.
31/08/2007
Hininteligivelpocondria
A alma fervia e o corpo borbulhava; essa interação me maltratava.
Desespero.
Aproveitava esses momentos para o banho. A água escorria, as lágrimas pegavam carona. Qualquer diferença notada era motivo para palpitação e enjôo.
Desentocava-me. Deslocava-me. Apenas para calar-me e escutar nada novo.
Sempre que eu resolvia falar sobre "o que interessa" ele mudava de assunto, sabendo que qualquer tentativa de convencer-me de que eu estava enganada seria em vão. Ele se sentia encabulado com essa história toda, mas eu sei que eu não sou a única.
Eu não me permitia dizer tudo, eu me censurava. Eu me censurava. Eu me censurava, pois tal censura faria com que o que eu sentia continuasse fazendo sentido. Ele esperava, então, o milagroso destino final da paroxetina.
Ao mesmo tempo em que eu queria ouvir que não (que o que eu sentia era ilusão), eu precisava ouvir que sim, por pior que fosse. Caso contrário, seria autodiagnosticada uma neurose. Eu não queria acreditar que estava ficando louca, mas eu estava ficando louca. Eu estava louca. Eu estou louca. Eu sou louca! Se não, não estaria lá, não é? Mas isso não vem ao caso.
E eu seguia, mesmo que inconstantemente, junto a esse paradoxo; entre temer a morte e querer morrer. Querer morrer por temer a morte. Ou algo assim.
Desespero.
Desespero.
Aproveitava esses momentos para o banho. A água escorria, as lágrimas pegavam carona. Qualquer diferença notada era motivo para palpitação e enjôo.
Desentocava-me. Deslocava-me. Apenas para calar-me e escutar nada novo.
Sempre que eu resolvia falar sobre "o que interessa" ele mudava de assunto, sabendo que qualquer tentativa de convencer-me de que eu estava enganada seria em vão. Ele se sentia encabulado com essa história toda, mas eu sei que eu não sou a única.
Eu não me permitia dizer tudo, eu me censurava. Eu me censurava. Eu me censurava, pois tal censura faria com que o que eu sentia continuasse fazendo sentido. Ele esperava, então, o milagroso destino final da paroxetina.
Ao mesmo tempo em que eu queria ouvir que não (que o que eu sentia era ilusão), eu precisava ouvir que sim, por pior que fosse. Caso contrário, seria autodiagnosticada uma neurose. Eu não queria acreditar que estava ficando louca, mas eu estava ficando louca. Eu estava louca. Eu estou louca. Eu sou louca! Se não, não estaria lá, não é? Mas isso não vem ao caso.
E eu seguia, mesmo que inconstantemente, junto a esse paradoxo; entre temer a morte e querer morrer. Querer morrer por temer a morte. Ou algo assim.
Desespero.
25/07/2007
Taciturnidade
Não tente destruir o silêncio que me congela
Pois assim sigo em frente, não encanto nem desafino
Não tente arruinar o calar que me preserva
Pois muda vou à luta, com a esperança de um menino
Suas palavras não me dizem nada, seu sorriso menos ainda
Então não me mostre esse dente amarelado
Não espere para ouvir o que não posso lhe dizer
E me poupe desse vocabulário infundado.
Agora quebre em mil pedaços essa esperança
Cadê seu medo de viver?
Estou aqui para mim, e nem aí para sua vingança
E sei que nunca irei me arrepender.
Pois assim sigo em frente, não encanto nem desafino
Não tente arruinar o calar que me preserva
Pois muda vou à luta, com a esperança de um menino
Suas palavras não me dizem nada, seu sorriso menos ainda
Então não me mostre esse dente amarelado
Não espere para ouvir o que não posso lhe dizer
E me poupe desse vocabulário infundado.
Agora quebre em mil pedaços essa esperança
Cadê seu medo de viver?
Estou aqui para mim, e nem aí para sua vingança
E sei que nunca irei me arrepender.
19/07/2007
17/07/2007
Mama, don't go. Daddy, come home.
De novo.
Dói tanto!
Eu tento pedir ajuda.
"Você tem tudo, poxa."
"Você não precisa disso."
Eu tento pedir ajuda.
Eu o odeio por não notar, o odeio por notar e não saber o que fazer, o odeio por fingir não notar. Ou o que quer que seja.
A quem recorrer?
Não aguento mais trancar isso tudo aqui dentro, corro o risco de explodir.
Acredite; não deixe que ela te leve.
Eu sinto a sua falta na minha vida.
Aliás, sempre senti.
Queria tanto poder conversar com você, o que nunca aconteceu. Será que você não tem vontade?
Queria tanto que você olhasse nos meus olhos e só dissesse verdade.
Queria tanto que você me perguntasse o por quê dessa angustia e eu, assim, teria a chance de desaprovar seus atos, e finalmente me libertar.
Cadê você?
Dói tanto!
Eu tento pedir ajuda.
"Você tem tudo, poxa."
"Você não precisa disso."
Eu tento pedir ajuda.
Eu o odeio por não notar, o odeio por notar e não saber o que fazer, o odeio por fingir não notar. Ou o que quer que seja.
A quem recorrer?
Não aguento mais trancar isso tudo aqui dentro, corro o risco de explodir.
Acredite; não deixe que ela te leve.
Eu sinto a sua falta na minha vida.
Aliás, sempre senti.
Queria tanto poder conversar com você, o que nunca aconteceu. Será que você não tem vontade?
Queria tanto que você olhasse nos meus olhos e só dissesse verdade.
Queria tanto que você me perguntasse o por quê dessa angustia e eu, assim, teria a chance de desaprovar seus atos, e finalmente me libertar.
Cadê você?
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