31/08/2007

Hininteligivelpocondria

A alma fervia e o corpo borbulhava; essa interação me maltratava.
Desespero.

Aproveitava esses momentos para o banho. A água escorria, as lágrimas pegavam carona. Qualquer diferença notada era motivo para palpitação e enjôo.

Desentocava-me. Deslocava-me. Apenas para calar-me e escutar nada novo.
Sempre que eu resolvia falar sobre "o que interessa" ele mudava de assunto, sabendo que qualquer tentativa de convencer-me de que eu estava enganada seria em vão. Ele se sentia encabulado com essa história toda, mas eu sei que eu não sou a única.

Eu não me permitia dizer tudo, eu me censurava. Eu me censurava. Eu me censurava, pois tal censura faria com que o que eu sentia continuasse fazendo sentido. Ele esperava, então, o milagroso destino final da paroxetina.

Ao mesmo tempo em que eu queria ouvir que não (que o que eu sentia era ilusão), eu precisava ouvir que sim, por pior que fosse. Caso contrário, seria autodiagnosticada uma neurose. Eu não queria acreditar que estava ficando louca, mas eu estava ficando louca. Eu estava louca. Eu estou louca. Eu sou louca! Se não, não estaria lá, não é? Mas isso não vem ao caso.

E eu seguia, mesmo que inconstantemente, junto a esse paradoxo; entre temer a morte e querer morrer. Querer morrer por temer a morte. Ou algo assim.
Desespero.