13/09/2010

E onde eu começo? Será no início, no meio ou no fim?
Me enterrei de novo, me desculpa.
Não queria deixar passar despercebida a minha culpa.
Agora só eu sei que não importa se tarde, amanhã é dia de banho frio e comida crua.

Talvez eu tenha que pôr pra fora de uma vez, pra não alimentar a maus ganhos.
Mas a verdade é que eu só derramo angústias quando não sei ao certo de onde vêm.

09/03/2010

True love waits

Aquele inverno foi frio demais. Só me esquentava junto. E ele dizia: "só ao seu lado eu sinto calor." Será? Eu não sabia que aquilo existia. Cresceu, feito tumor. Fui transportada muitas vezes. Eram os únicos momentos em que eu me encontrava. E continuou crescendo. Tumor maligno. Até então, nunca me faltava. Certa vez procurei, não encontrei. Não acreditei, dancei. Me embriaguei, calei. E agora? Ouvi por outros que era o fim, sem dar por mim, não joguei fora. Está aqui, guardei.

Então encarei aquele mesmo olhar de 15 segundos, por olhos de outros tons e intenções. Absorvi o mesmo mistério, senti na pele o mesmo perigo; o de crescer desenfreado. Decerto estava com sede. Muita. E engoli toda a água. Aquela novidade foi uma porta que abri para um quarto que virou sala quando conquistei meu espaço. São detalhes muito próximos, só eu sei. São retalhos tóxicos, se é que inalei. Aneurisma. Está aqui, guardei.

Mas hoje a fonte não seca, o desejo não peca e sou quem sou. Somos. Ainda tenho medo, pela primeira vez tendo nas mãos. Mas medo não faz mal, o que faz mal é o por quê dele existir. Mas será que o por quê existe mesmo na história? Ouvi por outros que era só o início. Dei por mim, não joguei fora. Está aqui, guardei.

Tem certas coisas que eu não sei dizer

De tempo em tempo eu vejo que certas coisas são certas quando não são coisas, como ciúmes, por exemplo. A inveja não, a inveja inclui uma série de coisas. Eu digo certa no sentido de verdadeiro, compassado. Eu nem lembro mais que tempo me fazia desistir de sair de casa, se a chuva ou o sol. Saudades, então. Saudades, ciúmes, tão plurais mas tão singulares que nem existem registrados em algumas línguas. O certo é que de dois sobram nenhum quando é tudo que eu sinto, ao mesmo tempo. Tempo, temporal, atemporal; certo, incerto, não importa. Certas coisas não são coisas quando certas.

10/02/2010

Que se limita ao mais importante

Eu quero crescer mais.
Eu quero crer, ser mais.
Ser mais do que o bonito, o vão. Ser algum futuro, então.
Quem não olha pra frente não tem paz, entende?
E só se arrepende quem olha pra trás.
Eu quero crescer mais.

08/02/2010

De como a dor me transforma

Perdoa se sou pessimista e contagio. Vivo sim num mundo de não. A maior de todas as mentiras é aquela contada por quem sorri sem motivos. Sei que a diferença entre a vida e a morte é a dor. Então sangro, sangro sim. Sangro porque tenho vida em mim. Queria eu ter periósteo inerte, ser desprovida de nervos e arco reflexos, tal como os ignorantes e suas variações anatômicas. Mas não sei viver sem medo, o medo protege e eu quero sempre proteção. Fervo. Fervo quando esquenta. Não peço para que soprem, não procuro me abanar, não ligo o ar condicionado, nem o ventilador. De condicionado me basta o fato de não poder me sustentar; e que vento é suficiente para soprar a dor embora? A dor só vai quando finalmente entro em ebulição. E é a única vez que me vejo de dentro pra fora. Viro fumaça e faço a diferença sem impressionar. Posso até fazer chorar. Sendo assim, me liberto e conquisto um novo elemento. Me torno uma só com o que antes me delimitava: o ar que eu tanto respirava. Uso o meu próprio corpo de forma imprópria num hedonismo improvisado. O corpo só existe para ser todo prazer. E quando evaporo, shhh, já fiz todo o mal que podia fazer, a meu prover.

12/01/2010

Summer

Fez-se o dia e o quarto já não escurecia, nem os olhos. Fiz o menos por menos. Digo, não poderia imaginar onde terminaria o que não veio a terminar. Não poderia dizer que foi diferente, nem que foi igual (dessa vez o motivo, confesso, foi banal); mas senti o que não sentia, por ser tão imoral, desde que enterrei meus últimos receios e derramei, em abstrato, o concreto. Que fui bem fundo, é certo. Tanto que mergulhei e caí de cara no chão. E cara não se cola, não! De resto, o dia passa sem pressa. Por alguns segundos pensei em descumprir tal promessa, feita por mim a nós dois de separar, nesse prato, o feijão do arroz. Mas só por ter sido intenso. E penso: foi imenso. Nunca vi nada assim. Fez-se a noite e o quarto não escureceu, mas os olhos sim.