31/08/2008

Arco-íris

São tantos os enganos e os desacatos, desencantos. É um sentimento de orfandade irremediável.
Mas ainda há o encontro de sol e chuva;
então por que olhar o colorido em filtros monocromáticos?
Uma página em branco, uma ponte e um barranco; a escolha.

Uma interrogação

Sem saída. O escuro é o ponto final, mas ainda me resta uma interrogação. Em alguma coisa faltando, alguma coisa calando, que me faz resistir. Em pensar que hoje é fracasso. Não sinto mais. Não minto mais. Aliás, minto, sim. Ainda resta, não presta. Mas se quem faz a festa é quem contesta, eu sempre fui honesta.

Sem saída. Em alguma coisa faltando, alguma coisa resistindo, alguma coisa... Que me faz calar. Não minto mais. Não sinto mais. Sinto, sim, aliás. Sinto medo de morar no escuro e ver o claro por cima do muro, pensando naquilo que deixei pra trás.

Sem saída. Em segundo, em minuto, em hora, em tempo esgotado, transformado em dor. Em saber que o escuro é o refúgio de quem não quer ver amanhecer mais uma dúvida e alimenta seu próprio pudor. Enclausuro. O ponto final é o escuro, mas ainda me resta uma interrogação.

17/08/2008

Tomorrow never knows

Certa vez sorri sem medo. Descobri que o segredo não está em se deixar esquecer que a felicidade é breve e sim em saber rir tão bem quanto saber chorar, cantar a canção que agora toca, seja ela triste ou alegre. Lembre-se que hoje momentos são momentos; ontem, momentos são memórias; amanhã? Nunca se sabe.

Não

Ela esperou que chegasse o momento em que tudo se transformaria, da água ao vinho, sabendo o risco que correria caso, sem chance de respirar, entrasse em decomposição. Não. Ela tem receios que hoje garantem a passividade que tanto lhe incomoda, ela não imaginava. Logo ela, que tanto sonhava! Não.

Digo:

sou toda a verbosidade que não convém e toda a prolixidade que me mantém refém.

Intuito desenfreado

Eu
Converto-me em cores várias e giro em celeridade máxima, até que todas sejam uma, até que tudo seja nada; ou quase nada. Sou incandescente, porém transparente. A verdade é que busco a unidade em meio à toda e qualquer mistura desordenada.

Não
Mesmo sem garantia, me permito dilacerar até que possa compartilhar o fragmentado. Não tenho medo. Então tiro o certo do caminho, já que é do certo que surge o errado.

Sou
Às vezes dói mais do que agrada, o que faz com que a pena não valha. Mas é assim mesmo e mesmo assim, eu já sei quem sou, o que sou e para que sou, então não convém arranhar até sangrar onde nem coceira há.

Assim.

10/08/2008

A angústia por um velho início


Voltou de viagem, a criança não estava mais aqui. Desespero, indignação, desgosto. Uma dor infinda de ter que aceitar o que não devia ser normal. Fechou a cara. Para sempre, dizia ele – decididamente -, para todo o sempre. Não queria ver o futebol, nem ouvir o Chico, muito menos admitia os pêsames daqueles que não faziam idéia do tamanho do penar, nunca tendo sido atingidos. Pensou em desistir, pensou em desconectar, mas a palavra covardia não fazia parte de seu vocabulário.
Será castigo divino?

(...)

“Ela operou!”, disse o sorumbático, surpreso, ao desligar o telefone. Acontece que ele não queria tentar outra vez. Suas mãos tremiam só de pensar na possibilidade de mais um choque, de mais uma frustração. Ela sim. Ela sempre fora forte, decidida, convicta. Para ela tudo daria certo, mesmo que não pudesse voltar atrás.
Foi. O novo ao encontro do novo, em busca de um concreto que pudesse substituir o outro. Anos sem um sorriso; desabrigo. Nada pode ser substituído, mas talvez assim a dor tenha sido atenuada.

Talvez.

08/08/2008

Que não faz diferença

Nada em torno, nada à volta. Chama, ama, faz a cama. Aproveita e clama, reclama por seus próprios equívocos.
“Um a mais, não faz diferença”.

Nada em volta, nada à torno. Esquenta, senta, acrescenta, salienta, sustenta. Aproveita e tenta, experimenta e chega aos seus objetivos.

Sai, retrai, decai. Vai... Vai!
Retém, cem, mantém, sem. Vem... Vem!
Ocorre, recorre, socorre. Corre! Corre!
Morre.
“Um a mais, não faz diferença”.