
Voltou de viagem, a criança não estava mais aqui. Desespero, indignação, desgosto. Uma dor infinda de ter que aceitar o que não devia ser normal. Fechou a cara. Para sempre, dizia ele – decididamente -, para todo o sempre. Não queria ver o futebol, nem ouvir o Chico, muito menos admitia os pêsames daqueles que não faziam idéia do tamanho do penar, nunca tendo sido atingidos. Pensou em desistir, pensou em desconectar, mas a palavra covardia não fazia parte de seu vocabulário.
Será castigo divino?
(...)
“Ela operou!”, disse o sorumbático, surpreso, ao desligar o telefone. Acontece que ele não queria tentar outra vez. Suas mãos tremiam só de pensar na possibilidade de mais um choque, de mais uma frustração. Ela sim. Ela sempre fora forte, decidida, convicta. Para ela tudo daria certo, mesmo que não pudesse voltar atrás.
Foi. O novo ao encontro do novo, em busca de um concreto que pudesse substituir o outro. Anos sem um sorriso; desabrigo. Nada pode ser substituído, mas talvez assim a dor tenha sido atenuada.
Talvez.