30/05/2009

1/2 volta

Não se preocupe, eu já voltei. Eu tive que voltar pra buscar o que esqueci e, sabe como é, acabei por não conseguir sair. É que eu já não vejo a maçaneta na porta. Não vejo como deixar de lado o que hoje está tão à frente de tudo que me importa. Não se preocupe, eu já voltei.

28/05/2009

As últimas sílabas

É assim mesmo.
Sempre que a ponta aponta, eu viro de ponta a cabeça. É que quando eu fico em minha exclusiva companhia, eu descubro coisas que não queria saber a respeito de mim. É tudo culpa da minha misantropia, da minha aversão à maioria e principalmente do meu medo, azedo. Bem como eu ouvi o despertador e não quis levantar, eu vou gritar pra não ouvir o mundo - lá fora - chamar. Agora, pensando bem, não é à toa que eu sempre volto a ser quem eu não quero. É porque eu sempre quero o mais difícil, vendo o reflexo turvo em lágrima, pra que a covardia seja encoberta por um sentimento de auto-lástima. E o mais difícil é não ter apoio, é querer o que não se tem, é virar o jogo e perder nos acréscimos, é acordar já com sono, é olhar pro lado e ver um outro qualquer com o filtro do "melhor que eu", é amar quem não ama, é adoecer, é ver apagar a chama, é viver, é crescer, viver, crescer, ver crescer e morrer.

21/05/2009

Não adia

Não adianta cuspir o gosto amargo, não adianta.
Não adianta lavar a roupa suja.
Não adianta chegar mais tarde pra que acabe mais cedo, não adianta.
Não adianta fechar os olhos se não for dormir.

06/05/2009

Talvez

Porque quando eu hesito tudo fica frágil e se rompe antes que eu decida. E ainda
quando eu choro tudo fica turvo e eu não encontro a saída. Porque quando eu temo o
meu corpo estremesse e eu não consigo fugir. E ainda quando eu tropeço meus joelhos
enfraquecem e eu me deixo cair. Ai, como me dói a vida e como me convida a morte ao simples escape.

04/05/2009

Antes não ter do que viver com medo

Aquela história de se deixar cair de olhos fechados já me tirou alguns pedaços. Já fui multicolorida, acreditava na cor e na vida, no amor e na ferida. Hoje, em sépia, vivo bem, sem; mesmo que ninguém me suporte. Ah, indiferença. Dizia o poeta, "eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer"; e eu juro, já fui de pensar assim. Hoje Vinícius já não quer nem saber de mim, francamente. Sou só mais uma desilusão, sou covardia assumida e não deixo que nada nessa vida seja tão meu que não possa deixar de ser sem me fazer sofrer. Só tem medo de perder quem tem o que perder. Antes não ter do que viver com medo.