Não é culpa sua, ele diz.
É culpa dos tempos em que ouvia o amor bater à porta e nada podia fazer, mal alcançasse a maçaneta.
Não é culpa sua, ele repete.
É culpa do medo que ela sentiu, que foi mais do que suficiente para confundir amor e rancor e transformar casulo em borboleta.
O problema é que a borboleta ainda não havia aprendido a voar.
E de nada ia adiantar relutar.
Quis ver, ter, ser, antes da hora
E até hoje não foi embora. E agora?
Eu entendo.
Como quem não quer amar, não ama.
Só vê se não reclama
Que, mesmo sem asas, independo.
Como quem não quer escutar, não ouve.
Como quem não quer enxergar, não vê.
Não é culpa sua, ele diz.
É culpa de você.
19/07/2008
Tique-taque
Há decadência (ah, decadência)
Em toda parte e no inteiro.
O que decai é o que existe, o que inexiste resiste.
Então eu destruo o que insiste, o rotineiro.
Nada muda, agora.
Nada muda a hora, além do tempo
O tempo consome o próprio tempo
Autólise, (em fração de) momento.
Tique-taque
Peço ao ponteiro que me deixe morrer
(em toda a parte e no inteiro)
Com um tiro certeiro, no desejo de para sempre ser
Sou.
Nada muda a hora, agora.
Nada muda, além do tempo.
Em cantos que os desencantos se dão.
O tempo vai, o tempo vem, o tempo é vão.
Tique-taque.
Em toda parte e no inteiro.
O que decai é o que existe, o que inexiste resiste.
Então eu destruo o que insiste, o rotineiro.
Nada muda, agora.
Nada muda a hora, além do tempo
O tempo consome o próprio tempo
Autólise, (em fração de) momento.
Tique-taque
Peço ao ponteiro que me deixe morrer
(em toda a parte e no inteiro)
Com um tiro certeiro, no desejo de para sempre ser
Sou.
Nada muda a hora, agora.
Nada muda, além do tempo.
Em cantos que os desencantos se dão.
O tempo vai, o tempo vem, o tempo é vão.
Tique-taque.
Contracena
Muito disso não se lê, não se ensina, não se aprende; se apreende, entende?
É a diferença entre quem esteve lá e quem não esteve, mas ficou sabendo.
É que, para isso, só vivendo.
Falar é fácil.
Eu quero ver viver, viver para ver.
Ver que nem sempre as coisas acontecem da maneira planejada. Que chorar é inevitável, mas não muda absolutamente nada. Que nada se apaga e que o que mais dói é o que mais marca. Que tudo tem sua hora, mas que nem toda hora tem seu tudo. Que falar demais é se entregar e falar de menos é covardia. Que o medo é o nosso maior protetor, mas medo demais é mania. Que não há ninguém nessa vida que possa ser substituído. Que as perdas dão valor aos ganhos e que é preciso dar valor à dor. Que os ganhos não são nada a quem percebe que nunca conheceu o amor.
Talvez disso tudo você já saiba. Mas da minha vida, não. Ah, da minha vida você não sabe nada. Talvez já tenha vivido e sangrado, mas o meu sangue você não sentiu escorrer.
Por dentre suas conclusões fatídicas eu cheguei à que mais me fez entender: não existe teoria que, sem prática, seja validada.
Costume curioso esse que os outros têm de querer julgar sem nem sentir na pele a machadada.
É a diferença entre quem esteve lá e quem não esteve, mas ficou sabendo.
É que, para isso, só vivendo.
Falar é fácil.
Eu quero ver viver, viver para ver.
Ver que nem sempre as coisas acontecem da maneira planejada. Que chorar é inevitável, mas não muda absolutamente nada. Que nada se apaga e que o que mais dói é o que mais marca. Que tudo tem sua hora, mas que nem toda hora tem seu tudo. Que falar demais é se entregar e falar de menos é covardia. Que o medo é o nosso maior protetor, mas medo demais é mania. Que não há ninguém nessa vida que possa ser substituído. Que as perdas dão valor aos ganhos e que é preciso dar valor à dor. Que os ganhos não são nada a quem percebe que nunca conheceu o amor.
Talvez disso tudo você já saiba. Mas da minha vida, não. Ah, da minha vida você não sabe nada. Talvez já tenha vivido e sangrado, mas o meu sangue você não sentiu escorrer.
Por dentre suas conclusões fatídicas eu cheguei à que mais me fez entender: não existe teoria que, sem prática, seja validada.
Costume curioso esse que os outros têm de querer julgar sem nem sentir na pele a machadada.
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