09/06/2009

Nada feito

- Oi.
- Oi.
- E aí?
- E aí o que?
- Sei lá, e aí po? Tem feito o que?
- Nada feito.
- Como assim "nada feito"?
- Como assim "e aí"?
- Foi mal, eu só tava tentando puxar assunto.
- E eu só tava empurrando ele de volta.
- Ah, entendi. Por que tanta frieza?
- Porque o quente queima.
- Mas o frio também, o frio arde.
- Antes arder que queimar, não acha? Quando queima não sobra nada, quando arde é só soprar.
- Mas eu não costumo ter quem soprar.
- É... Você tem que aprender a ser auto-suficiente. Assim, o que vem depois é lucro!
- Essa auto-suficiência toda sempre acaba se transformando em arrogância. Antes água que pedra, não acha? Água cai e transforma; pedra cai e mata.
- Antes matar que morrer.
- Antes morrer que viver com um marcapasso. Nada feito.

04/06/2009

Em cada casa

Eu não deixo claro quando quero, nem me importo se não conquisto, mas me importo, sim, se espero; antes nunca do que tarde. O amarelo, elo, me remete a muitas outras cores, não me importo se não ganho flores. Venha. Venho a retroceder, como o desconhecido, e não dou o braço a torcer se acho difícil. Eu não falo na cara, eu calo na marra, eu caio na farra e viro vidro só pra ver o outro lado da questão. Eu não repito, não, não repito nada. Em cada casa uma goteira, em cada caso um risco, em cada form(ul)a um ângulo, em cada acaso um laço promíscuo. Já vou, antes que passe da estação.