Que será que aconteceu?
Nem sequer ouvi tocar o sino e já vejo o dia entardecer nas mãos da juventude
Por muito pensei não fazer parte desta esfera
Não é de sempre que o espelho não possui uma única virtude
Não é de sempre que se deixa cair, a cada passo, um pedaço da espera
Outro como um dia qualquer.
É um céu de incertezas no planeta da razão
É um corte que ainda arde, mesmo com a cicatrização
É abrir mão do sim pelo medo do não
É uma esperança enterrada a sete palmos do chão
Que será que aconteceu?
23/06/2008
Sociocâncer
Irrefutável; cresce.
O medo é a mais poderosa das armas; enfraquece. Sente-se, por um instante, o coração à boca, a boca aos pés, os pés à cabeça, a cabeça ao chão, o chão ao teto, até que desaba. Nunca se esquece.
Passividade. Mesmo se tratando de um mal de bicho pra bicho, de mesma origem, de mesmo nicho, retrai-se a ponto de tornar-se apático. Pode-se chamar de racional? Não encontro razão em meio a tamanha perversidade. De sujeito a marginal, o caminho mais fácil.
Será a compaixão valor antigo, sentimento reprimido ou quem sabe até ilusão de quem não fora corrompido?
Até que ponto vale a pena passar por cima da própria piedade?
Até que ponto vale a pena virar as costas para a própria realidade?
Não se sabe até onde isso vai chegar.
O que acontecerá de mais forte que alimentará a consciência de que precisamos nos unir para sobreviver?
Não desabam os muros quando se pensa estar seguro da própria avidez humana? Será que isso ainda há de acontecer?
Porque se não, é GLP no ar respirado.
Irremediável; crescente.
É revanche.
É tumor que de benígno não tem nada.
É câncer, gene mutante.
Surge; sem nem ter hora marcada.
O medo é a mais poderosa das armas; enfraquece. Sente-se, por um instante, o coração à boca, a boca aos pés, os pés à cabeça, a cabeça ao chão, o chão ao teto, até que desaba. Nunca se esquece.
Passividade. Mesmo se tratando de um mal de bicho pra bicho, de mesma origem, de mesmo nicho, retrai-se a ponto de tornar-se apático. Pode-se chamar de racional? Não encontro razão em meio a tamanha perversidade. De sujeito a marginal, o caminho mais fácil.
Será a compaixão valor antigo, sentimento reprimido ou quem sabe até ilusão de quem não fora corrompido?
Até que ponto vale a pena passar por cima da própria piedade?
Até que ponto vale a pena virar as costas para a própria realidade?
Não se sabe até onde isso vai chegar.
O que acontecerá de mais forte que alimentará a consciência de que precisamos nos unir para sobreviver?
Não desabam os muros quando se pensa estar seguro da própria avidez humana? Será que isso ainda há de acontecer?
Porque se não, é GLP no ar respirado.
Irremediável; crescente.
É revanche.
É tumor que de benígno não tem nada.
É câncer, gene mutante.
Surge; sem nem ter hora marcada.
08/06/2008
A arte de desfigurar
Certa vez sonhei com o abismo, caía sem ter onde me apoiar. Quis não me desesperar; abri os braços, aprendi a voar. Entendi que não importa o que o destino prepara, ele sempre o entrega em minha mão. A decisão do que fazer com ele é apenas minha, e é o que influi na minha energia, me sufocando ou me embalando em satisfação.
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