Então tentar prever serviu pr'eu me enganar
Veja, você, onde é que o barco foi desaguar!
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim, mas mesmo assim, sinto que é como sonhar.
Você me falou pra eu não me preocupar, ter fé e ver coragem no amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.
Diz pra mim se vale a pena, amor. Me diz se assim está em paz.
Eu sei é um doce te amar,
O amargo é querer-te pra mim.
Não dá mais pra ser assim. O que te sobra além das coisas casuais?
Eu não estava lá, mas eu vi.
Quero dançar com outro par.
Já me cansei de ser a última a saber de ti.
Eu hoje vou pro lado de lá,
Porque hoje eu descobri que posso viver sem ti.
Só não pensa que eu fui por não te amar, pois eu, eu só penso em você.
Vou chegar no final de mais uma canção.
Pois vá embora, por favor.
Deixa ser como será.
Que não demora pra essa dor sangrar.
11/02/2009
03/02/2009
Hoje
Hoje eu acordei querendo mais do que sexo, inisiti num argumento sem nexo, mas mantive meu ideal. Hoje eu levantei, se foi o certo não sei, mas me estudei e tirei zero na prova final. Eu vi o meu verde virar marrom, vi o meu tronco virar crepom, senti a dor do bicho que é morto pro bicho-mor se satisfazer. Eu vi criança engolir bala sem açúcar, temi por medo da culpa, vi Hitler renascer. Hoje eu corri contra o gradiente, passei por cima de muita gente que vem, tira, consome e some. Hoje eu acordei com fome de hortaliça, com sede de justiça e com uma letra a mais no nome.
Sólido
Papéis queimados em flamas minuciosas; sangue sob o mangue, roupa sobre o tanque, impulsos irradiados em fervor. Último naufrágio em águas calmas. Vi-a, via. Vai e vem de motor. Poluição, indispor. Vida última (6 vividas), avivida, invivida, dividida, gato e sapato. Ruínas, males, self-destruction versus castidade. Reflexo do retrógrado, perplexo; asfalto. Farol, freio, ferro, frio, fome, foi.
Gustavo
5 anos, como dois e dois.
Nosso terreno ainda intacto, meu sonho ainda a ser. Em carência do que não aconteceu, a decadência do nosso predizer. Preciso mostrar que aprendi o que aprendi com você. Talvez quisesse ter apagado - para não saber mais - por saber que eu sou a única, mas não ter coragem de voltar atrás. Mas assim não se faz. Percebi que ainda existe, e se até hoje resiste, amanhã também. Foi cedo demais, foi-se cedo demais, não preciso de mais, só preciso ter o tudo de volta, ou ter a volta de tudo. Pelo menos por um segundo, pelo mais para que eu possa dizer o adeus que ficou preso na garganta e que arde, arde tanto que não deixa que outro se aproxime sem se queimar.
(11/03/08)
Nosso terreno ainda intacto, meu sonho ainda a ser. Em carência do que não aconteceu, a decadência do nosso predizer. Preciso mostrar que aprendi o que aprendi com você. Talvez quisesse ter apagado - para não saber mais - por saber que eu sou a única, mas não ter coragem de voltar atrás. Mas assim não se faz. Percebi que ainda existe, e se até hoje resiste, amanhã também. Foi cedo demais, foi-se cedo demais, não preciso de mais, só preciso ter o tudo de volta, ou ter a volta de tudo. Pelo menos por um segundo, pelo mais para que eu possa dizer o adeus que ficou preso na garganta e que arde, arde tanto que não deixa que outro se aproxime sem se queimar.
(11/03/08)
Controvérsia
Sempre tentei me esconder do óbvio, do evidente. Da convicção ao sobressalto sem precedente. Não quero mais saber de abrir as janelas e sentir o mesmo frio que congelou nossa convivência. Você com a sua eloquência, eu com a minha incoerência. Eu já deixei tudo pra trás, resolvi desconjugar, mas uma amizade não vai embora como se não existisse passado a recordar. Segui um descompasso ritmado pelo meu próprio bem. Eu bem sei, você bem sabe, você já o fez, também. Eu fui causa e vítima do incidente. Isso não se entende, não se compreende, apenas se aceita. E quando se chega ao ápice - à explosão - nada mais o enfeita. Estive pra baixo, estive sorrindo e derramando lágrimas que caíram sem que ninguém visse e sem que eu mesma sentisse (só sei porque sonhei). Estive por dentro de tudo, estive fora de mim. Envolvi-me em rodeios muitos, fiquei tonta de tanto me deixar levar. Ainda tento fugir do medo que é perder, mesmo sabendo que hoje é o dia do não saber (quanto mais eu sei, menos pretendo falar). Tenho certezas que me levam a lugar qualquer, mas me resguardo. Não sinto prazer em magoar, nada faço com o intuito de ver alguém chorar. Não quero ver nada chegar ao fim. Acabei por me acabar não tendo feito nada de errado, a não ser contra mim. Amo vocês. O que não aceito é me ver despedaçar e virar vidro capaz de cortar quando não construí, em mim, nada que pudesse quebrar.
(01/06/08)
(01/06/08)
O subconsciente
Eu já perdi aquele ontem tão remoto, tão recente! Já perdi aquele ontem. Invadi os meus receios em busca de vontade, abri aquela caixa que eu ganhei, que falsidade! Já perdi aquele ontem. Aflorou por dentre os poros aquela velha agonia. Não sei, será que é da idade? Só me basta uma sinapse, que lá em cima não ocorre divisão. Perdi minha razão pro cara da televisão. Acordei completamente insana, dormindo do lado errado da cama. Ouvi a manchete que dizia: "é hoje!". E agora, cadê a grana? Já perdi aquele hoje de manhã. Tentaram levar-me o celular e disseram "ei, sua cara eu vou marcar!". Ai de mim, que já não sei articular; só me falta perder o argumento. E fecho e abro e tenho tudo computado, decorado, prestes a ser ajuramentado; está chegando o momento! E então defendo a tese de que... De que... Será que eu ouvi passar o vento? Enfim, eu já perdi aquele ontem, detento.
(10/05/08)
(10/05/08)
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