Sempre tentei me esconder do óbvio, do evidente. Da convicção ao sobressalto sem precedente. Não quero mais saber de abrir as janelas e sentir o mesmo frio que congelou nossa convivência. Você com a sua eloquência, eu com a minha incoerência. Eu já deixei tudo pra trás, resolvi desconjugar, mas uma amizade não vai embora como se não existisse passado a recordar. Segui um descompasso ritmado pelo meu próprio bem. Eu bem sei, você bem sabe, você já o fez, também. Eu fui causa e vítima do incidente. Isso não se entende, não se compreende, apenas se aceita. E quando se chega ao ápice - à explosão - nada mais o enfeita. Estive pra baixo, estive sorrindo e derramando lágrimas que caíram sem que ninguém visse e sem que eu mesma sentisse (só sei porque sonhei). Estive por dentro de tudo, estive fora de mim. Envolvi-me em rodeios muitos, fiquei tonta de tanto me deixar levar. Ainda tento fugir do medo que é perder, mesmo sabendo que hoje é o dia do não saber (quanto mais eu sei, menos pretendo falar). Tenho certezas que me levam a lugar qualquer, mas me resguardo. Não sinto prazer em magoar, nada faço com o intuito de ver alguém chorar. Não quero ver nada chegar ao fim. Acabei por me acabar não tendo feito nada de errado, a não ser contra mim. Amo vocês. O que não aceito é me ver despedaçar e virar vidro capaz de cortar quando não construí, em mim, nada que pudesse quebrar.
(01/06/08)