Simples, como tudo que vem de dentro. Certo, como tudo que há de simples.
Fugir e descobrir que não existe refúgio? Prefiro enfrentar. Se a luz era mais clara e o gosto era mais doce - o quão amargo fosse - o tempo desmascara. Mas eu tenho sempre uma saída de emergência, que é, a princípio, o meu limite.
02/09/2008
01/09/2008
Gravidade
Não senti medo, não senti. Sorri. Não o vi flutuando, não o vi. Perdi. Desafinei de propósito, então, para que fosse mudado o tom, e não a minha melodia. Mas quanta ousadia! Indisposta a ser marionete, em época de carnaval sou confete, sou folia. Disposta a ser quem você não vê, pulei, sem saber onde cairia. E a gravidade puxando para baixo...
Não me vi flutuando, não. Caí. Não senti medo, não. Parti.
Não me vi flutuando, não. Caí. Não senti medo, não. Parti.
31/08/2008
Uma interrogação
Sem saída. O escuro é o ponto final, mas ainda me resta uma interrogação. Em alguma coisa faltando, alguma coisa calando, que me faz resistir. Em pensar que hoje é fracasso. Não sinto mais. Não minto mais. Aliás, minto, sim. Ainda resta, não presta. Mas se quem faz a festa é quem contesta, eu sempre fui honesta.
Sem saída. Em alguma coisa faltando, alguma coisa resistindo, alguma coisa... Que me faz calar. Não minto mais. Não sinto mais. Sinto, sim, aliás. Sinto medo de morar no escuro e ver o claro por cima do muro, pensando naquilo que deixei pra trás.
Sem saída. Em segundo, em minuto, em hora, em tempo esgotado, transformado em dor. Em saber que o escuro é o refúgio de quem não quer ver amanhecer mais uma dúvida e alimenta seu próprio pudor. Enclausuro. O ponto final é o escuro, mas ainda me resta uma interrogação.
Sem saída. Em alguma coisa faltando, alguma coisa resistindo, alguma coisa... Que me faz calar. Não minto mais. Não sinto mais. Sinto, sim, aliás. Sinto medo de morar no escuro e ver o claro por cima do muro, pensando naquilo que deixei pra trás.
Sem saída. Em segundo, em minuto, em hora, em tempo esgotado, transformado em dor. Em saber que o escuro é o refúgio de quem não quer ver amanhecer mais uma dúvida e alimenta seu próprio pudor. Enclausuro. O ponto final é o escuro, mas ainda me resta uma interrogação.
17/08/2008
Tomorrow never knows
Certa vez sorri sem medo. Descobri que o segredo não está em se deixar esquecer que a felicidade é breve e sim em saber rir tão bem quanto saber chorar, cantar a canção que agora toca, seja ela triste ou alegre. Lembre-se que hoje momentos são momentos; ontem, momentos são memórias; amanhã? Nunca se sabe.
Não
Ela esperou que chegasse o momento em que tudo se transformaria, da água ao vinho, sabendo o risco que correria caso, sem chance de respirar, entrasse em decomposição. Não. Ela tem receios que hoje garantem a passividade que tanto lhe incomoda, ela não imaginava. Logo ela, que tanto sonhava! Não.
Intuito desenfreado
Eu
Converto-me em cores várias e giro em celeridade máxima, até que todas sejam uma, até que tudo seja nada; ou quase nada. Sou incandescente, porém transparente. A verdade é que busco a unidade em meio à toda e qualquer mistura desordenada.
Não
Mesmo sem garantia, me permito dilacerar até que possa compartilhar o fragmentado. Não tenho medo. Então tiro o certo do caminho, já que é do certo que surge o errado.
Sou
Às vezes dói mais do que agrada, o que faz com que a pena não valha. Mas é assim mesmo e mesmo assim, eu já sei quem sou, o que sou e para que sou, então não convém arranhar até sangrar onde nem coceira há.
Assim.
Converto-me em cores várias e giro em celeridade máxima, até que todas sejam uma, até que tudo seja nada; ou quase nada. Sou incandescente, porém transparente. A verdade é que busco a unidade em meio à toda e qualquer mistura desordenada.
Não
Mesmo sem garantia, me permito dilacerar até que possa compartilhar o fragmentado. Não tenho medo. Então tiro o certo do caminho, já que é do certo que surge o errado.
Sou
Às vezes dói mais do que agrada, o que faz com que a pena não valha. Mas é assim mesmo e mesmo assim, eu já sei quem sou, o que sou e para que sou, então não convém arranhar até sangrar onde nem coceira há.
Assim.
10/08/2008
A angústia por um velho início

Voltou de viagem, a criança não estava mais aqui. Desespero, indignação, desgosto. Uma dor infinda de ter que aceitar o que não devia ser normal. Fechou a cara. Para sempre, dizia ele – decididamente -, para todo o sempre. Não queria ver o futebol, nem ouvir o Chico, muito menos admitia os pêsames daqueles que não faziam idéia do tamanho do penar, nunca tendo sido atingidos. Pensou em desistir, pensou em desconectar, mas a palavra covardia não fazia parte de seu vocabulário.
Será castigo divino?
(...)
“Ela operou!”, disse o sorumbático, surpreso, ao desligar o telefone. Acontece que ele não queria tentar outra vez. Suas mãos tremiam só de pensar na possibilidade de mais um choque, de mais uma frustração. Ela sim. Ela sempre fora forte, decidida, convicta. Para ela tudo daria certo, mesmo que não pudesse voltar atrás.
Foi. O novo ao encontro do novo, em busca de um concreto que pudesse substituir o outro. Anos sem um sorriso; desabrigo. Nada pode ser substituído, mas talvez assim a dor tenha sido atenuada.
Talvez.
08/08/2008
Que não faz diferença
Nada em torno, nada à volta. Chama, ama, faz a cama. Aproveita e clama, reclama por seus próprios equívocos.
“Um a mais, não faz diferença”.
Nada em volta, nada à torno. Esquenta, senta, acrescenta, salienta, sustenta. Aproveita e tenta, experimenta e chega aos seus objetivos.
Sai, retrai, decai. Vai... Vai!
Retém, cem, mantém, sem. Vem... Vem!
Ocorre, recorre, socorre. Corre! Corre!
Morre.
“Um a mais, não faz diferença”.
“Um a mais, não faz diferença”.
Nada em volta, nada à torno. Esquenta, senta, acrescenta, salienta, sustenta. Aproveita e tenta, experimenta e chega aos seus objetivos.
Sai, retrai, decai. Vai... Vai!
Retém, cem, mantém, sem. Vem... Vem!
Ocorre, recorre, socorre. Corre! Corre!
Morre.
“Um a mais, não faz diferença”.
19/07/2008
Seis por meia dúzia
Não é culpa sua, ele diz.
É culpa dos tempos em que ouvia o amor bater à porta e nada podia fazer, mal alcançasse a maçaneta.
Não é culpa sua, ele repete.
É culpa do medo que ela sentiu, que foi mais do que suficiente para confundir amor e rancor e transformar casulo em borboleta.
O problema é que a borboleta ainda não havia aprendido a voar.
E de nada ia adiantar relutar.
Quis ver, ter, ser, antes da hora
E até hoje não foi embora. E agora?
Eu entendo.
Como quem não quer amar, não ama.
Só vê se não reclama
Que, mesmo sem asas, independo.
Como quem não quer escutar, não ouve.
Como quem não quer enxergar, não vê.
Não é culpa sua, ele diz.
É culpa de você.
É culpa dos tempos em que ouvia o amor bater à porta e nada podia fazer, mal alcançasse a maçaneta.
Não é culpa sua, ele repete.
É culpa do medo que ela sentiu, que foi mais do que suficiente para confundir amor e rancor e transformar casulo em borboleta.
O problema é que a borboleta ainda não havia aprendido a voar.
E de nada ia adiantar relutar.
Quis ver, ter, ser, antes da hora
E até hoje não foi embora. E agora?
Eu entendo.
Como quem não quer amar, não ama.
Só vê se não reclama
Que, mesmo sem asas, independo.
Como quem não quer escutar, não ouve.
Como quem não quer enxergar, não vê.
Não é culpa sua, ele diz.
É culpa de você.
Tique-taque
Há decadência (ah, decadência)
Em toda parte e no inteiro.
O que decai é o que existe, o que inexiste resiste.
Então eu destruo o que insiste, o rotineiro.
Nada muda, agora.
Nada muda a hora, além do tempo
O tempo consome o próprio tempo
Autólise, (em fração de) momento.
Tique-taque
Peço ao ponteiro que me deixe morrer
(em toda a parte e no inteiro)
Com um tiro certeiro, no desejo de para sempre ser
Sou.
Nada muda a hora, agora.
Nada muda, além do tempo.
Em cantos que os desencantos se dão.
O tempo vai, o tempo vem, o tempo é vão.
Tique-taque.
Em toda parte e no inteiro.
O que decai é o que existe, o que inexiste resiste.
Então eu destruo o que insiste, o rotineiro.
Nada muda, agora.
Nada muda a hora, além do tempo
O tempo consome o próprio tempo
Autólise, (em fração de) momento.
Tique-taque
Peço ao ponteiro que me deixe morrer
(em toda a parte e no inteiro)
Com um tiro certeiro, no desejo de para sempre ser
Sou.
Nada muda a hora, agora.
Nada muda, além do tempo.
Em cantos que os desencantos se dão.
O tempo vai, o tempo vem, o tempo é vão.
Tique-taque.
Contracena
Muito disso não se lê, não se ensina, não se aprende; se apreende, entende?
É a diferença entre quem esteve lá e quem não esteve, mas ficou sabendo.
É que, para isso, só vivendo.
Falar é fácil.
Eu quero ver viver, viver para ver.
Ver que nem sempre as coisas acontecem da maneira planejada. Que chorar é inevitável, mas não muda absolutamente nada. Que nada se apaga e que o que mais dói é o que mais marca. Que tudo tem sua hora, mas que nem toda hora tem seu tudo. Que falar demais é se entregar e falar de menos é covardia. Que o medo é o nosso maior protetor, mas medo demais é mania. Que não há ninguém nessa vida que possa ser substituído. Que as perdas dão valor aos ganhos e que é preciso dar valor à dor. Que os ganhos não são nada a quem percebe que nunca conheceu o amor.
Talvez disso tudo você já saiba. Mas da minha vida, não. Ah, da minha vida você não sabe nada. Talvez já tenha vivido e sangrado, mas o meu sangue você não sentiu escorrer.
Por dentre suas conclusões fatídicas eu cheguei à que mais me fez entender: não existe teoria que, sem prática, seja validada.
Costume curioso esse que os outros têm de querer julgar sem nem sentir na pele a machadada.
É a diferença entre quem esteve lá e quem não esteve, mas ficou sabendo.
É que, para isso, só vivendo.
Falar é fácil.
Eu quero ver viver, viver para ver.
Ver que nem sempre as coisas acontecem da maneira planejada. Que chorar é inevitável, mas não muda absolutamente nada. Que nada se apaga e que o que mais dói é o que mais marca. Que tudo tem sua hora, mas que nem toda hora tem seu tudo. Que falar demais é se entregar e falar de menos é covardia. Que o medo é o nosso maior protetor, mas medo demais é mania. Que não há ninguém nessa vida que possa ser substituído. Que as perdas dão valor aos ganhos e que é preciso dar valor à dor. Que os ganhos não são nada a quem percebe que nunca conheceu o amor.
Talvez disso tudo você já saiba. Mas da minha vida, não. Ah, da minha vida você não sabe nada. Talvez já tenha vivido e sangrado, mas o meu sangue você não sentiu escorrer.
Por dentre suas conclusões fatídicas eu cheguei à que mais me fez entender: não existe teoria que, sem prática, seja validada.
Costume curioso esse que os outros têm de querer julgar sem nem sentir na pele a machadada.
26/06/2008
Inerte
Que será que aconteceu?
Nem sequer ouvi tocar o sino e já vejo o dia entardecer nas mãos da juventude
Por muito pensei não fazer parte desta esfera
Não é de sempre que o espelho não possui uma única virtude
Não é de sempre que se deixa cair, a cada passo, um pedaço da espera
Outro como um dia qualquer.
É um céu de incertezas no planeta da razão
É um corte que ainda arde, mesmo com a cicatrização
É abrir mão do sim pelo medo do não
É uma esperança enterrada a sete palmos do chão
Que será que aconteceu?
Nem sequer ouvi tocar o sino e já vejo o dia entardecer nas mãos da juventude
Por muito pensei não fazer parte desta esfera
Não é de sempre que o espelho não possui uma única virtude
Não é de sempre que se deixa cair, a cada passo, um pedaço da espera
Outro como um dia qualquer.
É um céu de incertezas no planeta da razão
É um corte que ainda arde, mesmo com a cicatrização
É abrir mão do sim pelo medo do não
É uma esperança enterrada a sete palmos do chão
Que será que aconteceu?
23/06/2008
Sociocâncer
Irrefutável; cresce.
O medo é a mais poderosa das armas; enfraquece. Sente-se, por um instante, o coração à boca, a boca aos pés, os pés à cabeça, a cabeça ao chão, o chão ao teto, até que desaba. Nunca se esquece.
Passividade. Mesmo se tratando de um mal de bicho pra bicho, de mesma origem, de mesmo nicho, retrai-se a ponto de tornar-se apático. Pode-se chamar de racional? Não encontro razão em meio a tamanha perversidade. De sujeito a marginal, o caminho mais fácil.
Será a compaixão valor antigo, sentimento reprimido ou quem sabe até ilusão de quem não fora corrompido?
Até que ponto vale a pena passar por cima da própria piedade?
Até que ponto vale a pena virar as costas para a própria realidade?
Não se sabe até onde isso vai chegar.
O que acontecerá de mais forte que alimentará a consciência de que precisamos nos unir para sobreviver?
Não desabam os muros quando se pensa estar seguro da própria avidez humana? Será que isso ainda há de acontecer?
Porque se não, é GLP no ar respirado.
Irremediável; crescente.
É revanche.
É tumor que de benígno não tem nada.
É câncer, gene mutante.
Surge; sem nem ter hora marcada.
O medo é a mais poderosa das armas; enfraquece. Sente-se, por um instante, o coração à boca, a boca aos pés, os pés à cabeça, a cabeça ao chão, o chão ao teto, até que desaba. Nunca se esquece.
Passividade. Mesmo se tratando de um mal de bicho pra bicho, de mesma origem, de mesmo nicho, retrai-se a ponto de tornar-se apático. Pode-se chamar de racional? Não encontro razão em meio a tamanha perversidade. De sujeito a marginal, o caminho mais fácil.
Será a compaixão valor antigo, sentimento reprimido ou quem sabe até ilusão de quem não fora corrompido?
Até que ponto vale a pena passar por cima da própria piedade?
Até que ponto vale a pena virar as costas para a própria realidade?
Não se sabe até onde isso vai chegar.
O que acontecerá de mais forte que alimentará a consciência de que precisamos nos unir para sobreviver?
Não desabam os muros quando se pensa estar seguro da própria avidez humana? Será que isso ainda há de acontecer?
Porque se não, é GLP no ar respirado.
Irremediável; crescente.
É revanche.
É tumor que de benígno não tem nada.
É câncer, gene mutante.
Surge; sem nem ter hora marcada.
08/06/2008
A arte de desfigurar
Certa vez sonhei com o abismo, caía sem ter onde me apoiar. Quis não me desesperar; abri os braços, aprendi a voar. Entendi que não importa o que o destino prepara, ele sempre o entrega em minha mão. A decisão do que fazer com ele é apenas minha, e é o que influi na minha energia, me sufocando ou me embalando em satisfação.
07/05/2008
So long and thanks for all the irony
Por que você critica o mau cheiro do chorume se você é o lixo de onde ele escorre?
Por que pra você tudo é tão errado?
Diz que o amor foi por outros deixado de lado, mas não ama.
Se sente culpado?
Você esperou que fosse desse jeito: eu com pouco e você satisfeito.
Eu quis, então, assim: início, meio e fim.
Você trapaceou, eu não jogo mais. Ah, se você soubesse a chance que perdeu de cair ao braço meu e ter tudo o que diz essencial. Se você soubesse o quanto eu sei sobre sua mentira e covardia, eu deixaria muda a sua poesia, que nada mais é do que reflexo da sua agonia. De onde você tira tanta hipocrisia?
Você se deu mal.
Por que pra você tudo é tão errado?
Diz que o amor foi por outros deixado de lado, mas não ama.
Se sente culpado?
Você esperou que fosse desse jeito: eu com pouco e você satisfeito.
Eu quis, então, assim: início, meio e fim.
Você trapaceou, eu não jogo mais. Ah, se você soubesse a chance que perdeu de cair ao braço meu e ter tudo o que diz essencial. Se você soubesse o quanto eu sei sobre sua mentira e covardia, eu deixaria muda a sua poesia, que nada mais é do que reflexo da sua agonia. De onde você tira tanta hipocrisia?
Você se deu mal.
28/04/2008
Não anoiteço
Ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir... Tenho muito pra contar, dizer que aprendi.
Não anoiteço. O quanto eu corri foi para descobrir que tudo tem a sua hora, que isso tudo cansa, que não sou mais criança e que sou só. Dó. Alimentei a miséria interior pensando se tratar de arte; procurei por toda parte. Onde está?
Não anoiteço. Eu senti que faltava, senti que falhava, mas sempre tive fé. Não há mais céu azul disposto a transformar o verde dos meus olhos na cor do mar. Agora de nada adianta chorar. Para que chorar o leite derramado, derramar o leite chorado, se o que foi visto foi sentido - ou apenas um orgulho ferido - que me deixou levar?
- Em que você acredita?
Em nada.
Não anoiteço. O quanto eu corri foi para descobrir que tudo tem a sua hora, que isso tudo cansa, que não sou mais criança e que sou só. Dó. Alimentei a miséria interior pensando se tratar de arte; procurei por toda parte. Onde está?
Não anoiteço. Eu senti que faltava, senti que falhava, mas sempre tive fé. Não há mais céu azul disposto a transformar o verde dos meus olhos na cor do mar. Agora de nada adianta chorar. Para que chorar o leite derramado, derramar o leite chorado, se o que foi visto foi sentido - ou apenas um orgulho ferido - que me deixou levar?
- Em que você acredita?
Em nada.
22/04/2008
Que não sabe não viver de passado.
Guardo; toda a meiguice. Guardo; as sombras do seu corpo ao meu, o contraste da minha pele com a sua e seus pelos arrepiados ao ouvir meus sussurros. Guardo; o som da sua voz e do seu riso, ao rir das piadas que não sei contar. Guardo; o cheiro que me lembra e que me faz sentir repulsa ao sentí-lo em outro. Guardo toda a sutileza, toda a inocência que eu roubei. Tudo que foi dividido e mais tarde subtraído do que é meu, eu sei. Eu guardo.
Mas guardo também a fúria que tomou conta de mim. Guardo toda a frustração. Guardo um sentimento perverso, traiçoeiro, de má índole, que construiu em mim uma fortaleza, que nem você poderia arruinar. Guardo tudo isso em vão.
São mais de 3 anos e eu estive sonhando.
Você foi a conquista mais simples e a perda mais complicada. Você foi a pessoa mais certa na hora mais errada. Foi a estabilidade no momento instável, foi toda a dor que eu carrego até hoje, todo o amor que eu viverei até que o silêncio seja quebrado. Queria eu saber não viver de passado.
Mas guardo também a fúria que tomou conta de mim. Guardo toda a frustração. Guardo um sentimento perverso, traiçoeiro, de má índole, que construiu em mim uma fortaleza, que nem você poderia arruinar. Guardo tudo isso em vão.
São mais de 3 anos e eu estive sonhando.
Você foi a conquista mais simples e a perda mais complicada. Você foi a pessoa mais certa na hora mais errada. Foi a estabilidade no momento instável, foi toda a dor que eu carrego até hoje, todo o amor que eu viverei até que o silêncio seja quebrado. Queria eu saber não viver de passado.
27/02/2008
Sonho lúcido
Surgiu como um vulto, repentino e silencioso e a chuva cobriu o grosso. O instante, um tanto quanto subversivo, poderia ter durado uma eternidade, o que não o tornaria perceptível. Mesmo que não houvesse manifesto imediato, eu saberia. Não há sensibilidade, nem pressentimento, apenas a certeza de um momento: aquele.
Surgiu; e o tumulto. O tumulto apressou a investigação, correndo contra o tempo e contra o gradiente, deixando de lado o ambiente, que antes silenciava. Ficou a sensação. A sensação de um ritmo sem harmonia, de uma letra sem melodia, de um sossego em agonia. E agora? Acordar.
Surgiu; e o tumulto. O tumulto apressou a investigação, correndo contra o tempo e contra o gradiente, deixando de lado o ambiente, que antes silenciava. Ficou a sensação. A sensação de um ritmo sem harmonia, de uma letra sem melodia, de um sossego em agonia. E agora? Acordar.
Que não deixa passar
Às vezes é só olhar para o lado, e, não deixando passar despercebido nem um dos mínimos detalhes, construo o que preciso para um entardecer memorável, para um momento inesquecível; tal que não seria possível só.
Assim, pode ser que eu me encontre nos olhos de quem vê beleza em mim.
Quem sabe? Às vezes é só olhar para o lado.
Assim, pode ser que eu me encontre nos olhos de quem vê beleza em mim.
Quem sabe? Às vezes é só olhar para o lado.
Reconsidere, por favor.
Eu sei o quanto é longe, mas eu estou cada vez mais perto. Eu sei, é incerto. Eu sei o quanto eu terei de esperar, mas a fome aumenta quando se avista a caça, e agora é tarde pra deixar pra lá. Me precipitei, mas já perdi tempo demais, eu sei. Reconsidere, por favor. Eu sei o quanto é caro, mas eu estou acumulando, pra no final perder tudo de uma vez; não foi assim que você me ensinou? Não foi assim que você fez? Eu sei, agora eu sou só mais uma, completamente só; nó. Reconsidere, por favor.
25/02/2008
Que me traz/faz/refaz
O sentido crucial, a noite, o silêncio; a falta que me traz.
O riso, o carnaval, o barulho; a falta que me faz.
Não perdi minhas esperanças, nem deixei minhas lembranças desbotarem as cores que matizam o meu mundo. Eu só deixo isso tudo de lado porque de frente se enxerga completamente - se é que você me entende - e é parcialmente que a gente sente e fica querendo ir mais fundo.
O desejo irracional, o receio, a conseqüência; a falta que me refaz.
O riso, o carnaval, o barulho; a falta que me faz.
Não perdi minhas esperanças, nem deixei minhas lembranças desbotarem as cores que matizam o meu mundo. Eu só deixo isso tudo de lado porque de frente se enxerga completamente - se é que você me entende - e é parcialmente que a gente sente e fica querendo ir mais fundo.
O desejo irracional, o receio, a conseqüência; a falta que me refaz.
Que não tem fim
Por lá eu deixei, pra cá eu trouxe o que sobrou pra mim. Por mais que eu queira, isso não tem fim. Eu vou cortando, perversa. Cortando a calça, que vira short, cortando o comprido, que vira curto, cortando o cumprido, que vira ilusão. Eu sei que tenho, tenho sim, tudo na mão. Eu vou trocando. Trocando o dentro pelo fora, o escuro pelo claro, o sonho pela esperança, o abstrato pelo concreto. Não sou a mesma de ontem, muito menos a mesma de amanhã, que o futuro nada é além de incerto. Alguns não conseguem enxergar a mudança, a um palmo de distância; apenas inspiram e expiram, deixando para trás o que poderia estar presente. Assim, perdem a chance de viverem intensamente e fazerem de suas vidas um livro, tão aberto quanto o meu.
24/02/2008
Negativos
A loucura a que o louco se submete
As infringências que se comete
O ganho, a perda.
As infringências a que o louco se submete
A loucura que se comete
A perda, o ganho.
Porque agora, agora eu me enchi de coragem, como o sedento enche o copo d'água.
Agora não há força contrária que me leve a procrastinar.
Lágrimas não cobrem poros, o porvir não cobre o findado.
Agora somos eu, eu mesma, e a conseqüência, seja ela qual for.
As infringências que se comete
O ganho, a perda.
As infringências a que o louco se submete
A loucura que se comete
A perda, o ganho.
Porque agora, agora eu me enchi de coragem, como o sedento enche o copo d'água.
Agora não há força contrária que me leve a procrastinar.
Lágrimas não cobrem poros, o porvir não cobre o findado.
Agora somos eu, eu mesma, e a conseqüência, seja ela qual for.
Sigo
Sigo; não espero. Só cabe a mim desfazer os nós e o nós, só cabe a mim renunciar. Sigo; me desespero. Não é fácil seguir sem olhar pra trás, sem jamais voltar. Tudo e nada, como a pouca reciprocidade, você nunca me ensinou os seus truques, e isso que é vaidade. Mas já me sinto liberta, pronta para arriscar e ser presa de novo, mas, dessa vez, não na jaula que você construiu. Sigo; não espero. Só cabe a mim desalinhar as expectativas, só cabe a mim desencanar, descansar. Sigo; me desespero. Não existe outro você aqui, nem outro eu lá.
20/02/2008
Indigno
Esses olhos verdes não me pertencem. Por toda a pureza impura, por toda a bondade perversa e por essa derrama.
Eu só preciso de uma chance, que nunca estará ao meu alcance - já se sabe que esse caminho é sem saída e sem retorno. - Eu só preciso esquecer o relevante e lembrar do irrelevante, que pode mudar o rumo do não-tão-bom e velho transtorno.
Que tudo venha a mim sem medo de me machucar;
que colida, que refrata e que reflita, doendo em você.
Que tudo volte ao normal, com a exceção do mal.
Já não transcende a última gota, já não me faz sofrer.
E enfim que tudo acabe, num piscar do meu olhar, sem que haja tempo para eu perceber.
Eu só preciso de uma chance, que nunca estará ao meu alcance - já se sabe que esse caminho é sem saída e sem retorno. - Eu só preciso esquecer o relevante e lembrar do irrelevante, que pode mudar o rumo do não-tão-bom e velho transtorno.
Que tudo venha a mim sem medo de me machucar;
que colida, que refrata e que reflita, doendo em você.
Que tudo volte ao normal, com a exceção do mal.
Já não transcende a última gota, já não me faz sofrer.
E enfim que tudo acabe, num piscar do meu olhar, sem que haja tempo para eu perceber.
06/02/2008
Night(mares)
When I start to think about it, my whole world blows away. My self care, my plans, my (stupid) desires seems like nothing, under these circumstances; they all disapear. I didn't want to worry that much, 'cause it really makes no difference for me; I never change!
No, It's not easy. It's not easy. It's not fucking e-a-s-y!
While it stays here, it chews me, eats me, devoures me, destroys me! But this pieces of me are avaiable, to tell you how I feel. As it goes, I come back. As I come back, it has already gone, so I can do nothing but pray for it to take long to be here again.
Why dreams are always so distant from reality, while nightmares seems just too near to be untrue?
No, It's not easy. It's not easy. It's not fucking e-a-s-y!
While it stays here, it chews me, eats me, devoures me, destroys me! But this pieces of me are avaiable, to tell you how I feel. As it goes, I come back. As I come back, it has already gone, so I can do nothing but pray for it to take long to be here again.
Why dreams are always so distant from reality, while nightmares seems just too near to be untrue?
17/01/2008
Em erupção
Trapos (sujos) e limpeza seletiva: é uma enorme confusão, confusa, confusiva. Sem mais neologismos, o negócio está sujo, por mais que esteja claro. Sem mais inflamações, fique parado, calado; o último nem sempre é o primeiro, a não ser que seja o primeiro a subir.
05/01/2008
Doces deletérios
Não procure saber por onde andei, procure saber onde te espero e até quando esperarei. Por você eu espero pra sempre, mesmo que o sempre seja sem - eu já sei que o que vale é amar e sofrer e viver e não esperar para ver (sonho não se dá) -, mesmo que ao meu lado você não consiga seguir sem desafinar; pois bem. Aquilo que tomou conta de mim não tem explicação, não tem fim. Meus anseios me levam a crer que não existirá paz, enquanto houver obsessão - e essa história toda de Platão -. Mas se houver calmaria, não hesitarei em entregar e tropeçar e machucar e arrepender e levantar outra vez, mesmo sabendo que a dor é maior a cada passo em falso. Não tenho para onde fugir, nem onde me esconder, quando todos os caminhos me levam a você.
360°
Tudo sempre acaba se repetindo, chega a ser triste; e, mesmo que dê tudo errado, a gente insiste. Será que é mesmo errando que se aprende? Não. A razão nunca fala mais alto. E não adianta jurar pela "mãe mortinha" - muito menos pelo pai-nosso-que-estás-no-céu - que as coisas serão diferentes que, no fundo, quem foi, não deixa de ser. Mas eu sei que eu vou fazer o possível para colocar a cabeça no lugar e os pés no chão. Não valem a pena a febre e a dor de cabeça, de preocupação. Não vale a pena temer, sofrer por medo de sofrer. Não vale a pena não. Vale a pena aproveitar o momento e deixar o amanhã para amanhã. E quem disse que irá se desfazer?
Viva e deixe morrer.
Viva e deixe morrer.
Assinar:
Postagens (Atom)