Não é culpa sua, ele diz.
É culpa dos tempos em que ouvia o amor bater à porta e nada podia fazer, mal alcançasse a maçaneta.
Não é culpa sua, ele repete.
É culpa do medo que ela sentiu, que foi mais do que suficiente para confundir amor e rancor e transformar casulo em borboleta.
O problema é que a borboleta ainda não havia aprendido a voar.
E de nada ia adiantar relutar.
Quis ver, ter, ser, antes da hora
E até hoje não foi embora. E agora?
Eu entendo.
Como quem não quer amar, não ama.
Só vê se não reclama
Que, mesmo sem asas, independo.
Como quem não quer escutar, não ouve.
Como quem não quer enxergar, não vê.
Não é culpa sua, ele diz.
É culpa de você.