12/01/2010
Summer
Fez-se o dia e o quarto já não escurecia, nem os olhos. Fiz o menos por menos. Digo, não poderia imaginar onde terminaria o que não veio a terminar. Não poderia dizer que foi diferente, nem que foi igual (dessa vez o motivo, confesso, foi banal); mas senti o que não sentia, por ser tão imoral, desde que enterrei meus últimos receios e derramei, em abstrato, o concreto. Que fui bem fundo, é certo. Tanto que mergulhei e caí de cara no chão. E cara não se cola, não! De resto, o dia passa sem pressa. Por alguns segundos pensei em descumprir tal promessa, feita por mim a nós dois de separar, nesse prato, o feijão do arroz. Mas só por ter sido intenso. E penso: foi imenso. Nunca vi nada assim. Fez-se a noite e o quarto não escureceu, mas os olhos sim.