09/03/2010

True love waits

Aquele inverno foi frio demais. Só me esquentava junto. E ele dizia: "só ao seu lado eu sinto calor." Será? Eu não sabia que aquilo existia. Cresceu, feito tumor. Fui transportada muitas vezes. Eram os únicos momentos em que eu me encontrava. E continuou crescendo. Tumor maligno. Até então, nunca me faltava. Certa vez procurei, não encontrei. Não acreditei, dancei. Me embriaguei, calei. E agora? Ouvi por outros que era o fim, sem dar por mim, não joguei fora. Está aqui, guardei.

Então encarei aquele mesmo olhar de 15 segundos, por olhos de outros tons e intenções. Absorvi o mesmo mistério, senti na pele o mesmo perigo; o de crescer desenfreado. Decerto estava com sede. Muita. E engoli toda a água. Aquela novidade foi uma porta que abri para um quarto que virou sala quando conquistei meu espaço. São detalhes muito próximos, só eu sei. São retalhos tóxicos, se é que inalei. Aneurisma. Está aqui, guardei.

Mas hoje a fonte não seca, o desejo não peca e sou quem sou. Somos. Ainda tenho medo, pela primeira vez tendo nas mãos. Mas medo não faz mal, o que faz mal é o por quê dele existir. Mas será que o por quê existe mesmo na história? Ouvi por outros que era só o início. Dei por mim, não joguei fora. Está aqui, guardei.