10/09/2007

Há de planar

Quanto mais ele gira, mais eu fico assim, aflita.
Me libertar e flutuar e emudecer, não vejo a hora.
Tentei me encontrar por entre a poesia escrita
De tudo tentei, mas o tempo não passa enquanto a dor não vai
embora.

Quando olho, ele se estagna. Se me distraio, ele se move,
Feito um peixinho camuflado numa rocha.
Não me deixe a agonizar, ainda é dez pras 9
E esse medo da idade vem da flor que desabrocha.

Há de haver um momento, um sofrimento,
Em que se encontre um esclarecimento sobre o que eu sinto a
esperar.
E essa agonia que não passa, essa vida que fracassa, essa
solidão que não basta,
Após a queda, há de planar.

Ah, ponteiro que gira em prol da minha contagem regressiva,
seja fiel ao intervalo entre um segundo e outro, e torne breve
a minha vida...
Que a solidão há de planar.