Para que não remanescente, me contenta o pretérito perfeito.
De imperfeito, me basta o presente.
Eu sempre tive certeza, mas de tanta certeza caí na fraqueza da indiferença; na franqueza da ofensa. Então, pode ser. Você que sabe. É que da noite não sobra nada, além da maquiagem borrada. É que do dia não sobra nada, além da cara amassada. Então, tanto faz. Eu olhei pela janela, cadê ela? Só vi a fachada amarela e o cinza do tempo.
Ah, persistência. Não se calcula mais letras nem se desenha mais números como antigamente; hoje é bem diferente (e bem pior). Tudo que a gente quer é ser o melhor. Não é? Mas o que vale não é a conquista, é a jornada. Quando se chega ao topo - eu previamente arrisco - se pergunta: "e agora? Descer?". Não falta nada. É por isso que eu só quero enquanto não posso ter.
E daí surge a fumaça da minha pálida frieza.
E assim revelo o gélido segredo da minha delicadeza e incalculável leveza.
A única certeza que eu tenho é a de que não tenho certeza.
Não quero ter que repetir.