As flores estão sempre no meu jardim, mas certamente um dia deixarão de estar, quando eu parar de chorar, já os marcos não. É tudo pura intensão, sem intenção. Quero ver o céu azul longe da barra pesada, quero acordar sem pensar que poderiam ter realmente se revelado as imagens projetadas, com os cabelos tão entrelaçados e os beijos, já tão ultrapassados, deixados de lado. Não esqueço dos 15 segundos contados no olhar que você lançou, tão de perto, e tentei por tanto decifrar, distinguir e filtrar (aquilo que você jogou sem ao menos avisar). E parece até que adivinhei quando eu disse adeus.
Não sei se você volta, não sei se ainda abriria a porta, quis não lhe perguntar. Quis nunca saber. Se eu tivesse me atirado contra você e você saído da frente, a culpa não seria minha, mas acontece que eu escolhi me embalar nesse vai-e-vem de canções, longe do que digo ser bom. Insegurança, minha vizinha. E agora sinto que fui eu que perdi, que a culpa é toda minha (toda a minha entrelinha). Mas só porque o sentes, não significa que esteja lá. É tão difícil pensar que ela chegou e se engraçou e foi tão fácil encantar sua música refinada (e olha que ela não precisou fazer nada)! Porque não é todo dia que se encontra alguém completo como você; e para alcançar os seus lábios, só sendo tão grande quanto.
Em se tratando de feridas, cicatrizes, marcas e marcos tudo é grandioso, inclusive a minha dor.