Gosto de ser discreta. Não me encanto com gente concreta, explícita. Gosto de construir. Não gosto de ser correta. Me encanto com gente incompleta, que precisa do outro pra se redescobrir. Gosto de me ver queimar depois de quase ter me afogado. Deixar a febre tomar o corpo acamado sem o menor cuidado, só pra ver morrer aos poucos o pecado. Gosto, então, da dor; gosto do gosto do sangue. Gosto de me opor. E não há flor que se zangue. Gosto de passar despercebida pra quem gosta do vão, pra filtrar. Mas não gosto de simplesmente ver a vida como essa gente que sorri quando é pra chorar. Entende?
Você entende, eu sei.